sábado, 12 de maio de 2012

Viver é muito bom!


Viver é bom. Estar no mundo da matéria é maravilhoso. Muitas pessoas, por não crerem no mundo imaterial ou por não buscarem maiores conhecimentos acerca da sua verdadeira origem, guardam, inconscientemente, uma revolta ou melancolia por terem que viver presos num corpo material, suportando as provas da terceira dimensão.

Eu mesmo já identifiquei isto, durante minhas incansáveis buscas. Percebi que tinha uma profunda “raiva” do mundo, pois não queria ter nascido. Chorei muito quando rememorei os fatos que envolviam este sentimento. Pedi perdão a Deus pela minha revolta, com profundo arrependimento, e agradeci por estar viva. Hoje, mesmo sabendo que o caminho é longo, aprendi a amar e respeitar as pessoas, animais, vegetais e minerais, pois todos somos manifestações de Deus Absoluto na Terra.

Lendo o livro “O Mago de Strovolos”, de Kyriacos C. Markides, que conta a história de Daskalos e de seus ensinamentos e curas espirituais, eu consegui entender melhor o que sinto. O autor escreveu este livro a partir de uma profunda pesquisa de campo realizada durante sua convivência como discípulo deste mestre.
Durante umas das inúmeras conversas que compuserem esta maravilhosa obra, Kyriacos perguntou a Daskalos sobre a diferença entre existência e o estado de Ser.

Mestres dos Magos
O mestre explica que todos somos Mônadas Sagradas, almas, antes de podermos existir, e que adquirimos a existência quando passamos pela Ideia do Homem. Ele diz ao seu aprendiz que, como entidades eternas, nós simplesmente somos e sempre fomos e que, através dos ciclos da existência, devemos desenvolver nossa autoconsciência.

Ficou claro para Kyriacos que o ato de ser é a realidade, enquanto a existência refere-se ao mundo dos fenômenos, os quais incluem os mundos de matéria densa, o psíquico e o noético – não entrarei em detalhes sobre isso neste post, para não perdermos o foco. O importante é que, se desejarmos entrar na realidade, teremos que transcender a existência e recuar para o ato de ser, ou seja, para uma forma de não existência.

Mas o mais interessante nesta conversa entre mestre e discípulo, é quando o mestre fala sobre sua experiência pessoal em que conseguiu, com a ajuda de seus próprios mestres, transcender a matéria e experimentar o estado de ser.

O que ele relata é incrível, pois explica que, mesmo experimentando um estado de plenitude e felicidade, há algo que o impele a voltar, pois é da natureza do estado de ser refletir a si próprio. Veja abaixo um trecho do livro:

Ao entrar para o interior de mim mesmo, que do ponto de vista humano é o nada, e do ponto de vista do estado de ser é plenitude, sei que é da minha natureza reentrar no mundo da matéria. Estou falando baseado estritamente na minha experiência pessoal. Imaginemos que alguém me pergunte: “Onde prefere estar, na plenitude do ser não concebido, onde achamos o que chamamos de felicidade, ou dentro das provações e tribulações da existência fenomênica?”. Acredite-me, se tiver uma pessoa amada perto de mim, em cujos olhos eu possa olhar, de quem eu possa sentir o perfume e acariciar os pés, eu diria que prefiro isso. Chame a isso de fraqueza ou do que quiser, ainda assim é um atributo do nosso estado de ser e não da nossa existência. Talvez esta seja a mesma ânsia que, dentro do próprio Estado de Ser Absoluto, propicie a criação dos mundos: tocar e acariciar amorosamente, com os raios do seu Sol, até as águas mais turvas e estagnadas.

Daskalos complementa que “o mundo material, com todos os seus tormentos e imperfeições, é lindo!”.

Vale citar a história que Kyriacos conta, ao refletir sobre o que acabou de ouvir em relação aos anseios terrenos de Daskalos, sobre um grande mestre zen:

Toda a sua vida ele pregara a falta de importância e a natureza ilusória do mundo material. Quando estava para morrer, seus discípulos se reuniram à volta de seu leito de morte para ouvir algumas sábias palavras finais. A única coisa que ele disse foi: “Quero viver, quero viver.” Seus adeptos ficaram desapontados. “Mas mestre, como pode dizer isso?”, protestaram eles. “Realmente... realmente eu quero viver”, repetiu ele e fechou os olhos. Esta foi a última lição do mestre.

Tudo isso me faz entender como é maravilhoso viver neste mundo, apesar de ter consciência de que a felicidade plena está somente no estado de Ser, no eterno. A meditação, o relaxamento, o apreciar da natureza e todas as suas formas, são maneiras de, mesmo estando na matéria, podermos acessar a Fonte de tudo que é, o Absoluto, Deus. Essas práticas nos ajudam a desenvolver a gratidão por tudo que somos.

Para finalizar, cito uma frase do livro “A Última Grande Lição”, de Mitch Albom, que conta a história de Morrie, seu professor, que sofre de uma doença terminal: 

“Todo mundo sabe que vai morrer, mas ninguém acredita”.

Sabemos que a morte não existe e que este fenômeno é somente uma transição.

Mas somente quando entendermos o que isto realmente significa, é que poderemos afirmar com alegria que sabemos o que é existir.


Lê Kobus

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